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Review

007 First Light – Operação: GOTY

Por Posted byRatito | Publicado em - Editado em

Revelado pela primeira vez em junho de 2025, First Light já me conquistou apenas com o nome de seu estúdio, a IO Interactive, conhecidos pela incrível série Hitman. E, meus amigos, misturar o grande 007 com a IO foi a melhor combinação desde o pão de queijo com café.

Enredo

Ambientado nos tempos atuais e antes da trajetória de Bond como agente, First Light conta a história de origem do personagem. Nós o acompanhamos desde seu treinamento inicial no MI6 até a conquista do status de “00”.

A premissa me assustou um pouco no início. Senti medo de que iríamos experimentar um protagonista que fosse James Bond apenas no nome. Felizmente, eu me enganei. Apesar de ser um novato, Bond possui todos os traços que fazem dele quem ele é, e sua personalidade fica cada vez melhor ao longo da campanha graças às suas interações com uma ótima variedade de personagens secundários, como a dupla Cressida e Monroe, a fofíssima Moneypenny e o meu favorito, o mentor John Greenway.

Durante uma operação da Marinha Britânica na Islândia, o avião da equipe de Bond é derrubado, e ele é o único sobrevivente do desastre. Sozinho, Bond decide seguir até seu objetivo: um acampamento de pesquisa controlado pelo grupo terrorista Arrowhead. Desobedecendo às ordens, ele decide salvar todos os cientistas mantidos em cativeiro. Suas ações durante a missão lhe rendem um convite de uma mulher conhecida como “M” para ingressar no revitalizado programa “00”, onde passará os próximos meses (três horas de jogo) treinando sob o comando do rígido John Greenway.

Normalmente, essas sessões seriam retratadas em cutscenes rápidas ou resumidas por meio de um simples timeskip, mas a IO faz algo diferente. Em First Light, o que temos é uma montagem de pequenas sessões de gameplay nas quais Bond aprende a dirigir, atirar, lutar corpo a corpo e dominar a prata da casa: o stealth.

Tudo termina em duas missões nas quais você deve se infiltrar no campo de treinamento e roubar uma bandeira. Assim como seu “irmão”, Hitman, First Light lhe dá liberdade para abordar essa missão da maneira que preferir, podendo até ignorar boa parte do percurso e seguir diretamente para a bandeira pelo lado onde a audiência está assistindo. Afinal, como Greenway ensina: “Sempre faça o inesperado.”

Após algum tempo, M suspende o treinamento e dá à equipe a missão de encontrar e capturar um antigo agente do MI6: Rhys Beckett, o ex-009 e antigo parceiro de Greenway. Essa jornada leva o jogador por cenários, um mais bonito que o outro, e mistura set-pieces que chegam a lembrar a série Uncharted, da Naughty Dog.

Jogabilidade

O início encanta pelo visual, mas é um pouquinho arrastado até você sair do treinamento e partir para sua primeira missão de verdade, em um torneio de xadrez na Eslováquia. E, meus amigos, é aqui que o jogo finalmente tira a coleira e te deixa livre, permitindo que você sinta o gosto do que está por vir nas próximas 20 horas de jogo. Se essa fase não te conquistar, fique à vontade para desinstalar, pois é aqui que vemos a jogabilidade que mistura o stealth e liberdade da série Hitman, o gunplay e set-pieces de Uncharted e uma pitada do hack de Watch Dogs. Vou falar um pouco a diferença entre os dois estilos

007 First Light

Silencioso como um fantasma

As missões iniciam sempre com Bond chegando à área da missão e descrevendo o que deve fazer. Quando o jogo libera o controle, aí é com você, tendo liberdade para se aproximar dos objetivos da maneira que quiser.

O sistema de oportunidades de Hitman faz um retorno: Bond pode escutar conversas dos NPCs, liberando novos caminhos, pegar documentos e chaves escondidos ou usar seus gadgets para neutralizar ou evitar inimigos pelo caminho até chegar ao seu alvo.

Ser pego em um jogo stealth tende a atrapalhar a graça da experiência. Geralmente, em jogos assim, você é detectado e inicia um combate frenético contra inimigos que te matam com extrema facilidade, ou simplesmente recebe uma falha de missão. Felizmente, a IO já resolveu esse problema em Hitman com o sistema de disfarces. Apesar de Bond não poder imitar seu “irmão”, o Agente 47, ele pode usar sua lábia para evitar conflitos e continuar oculto. Um exemplo que aconteceu comigo: acidentalmente apertei o botão errado e Bond derrubou uma porta com um chute ao lado de alguns inimigos. Ao usar um recurso para mentir ao guarda, Bond disse ser apenas um marceneiro que estava testando a durabilidade da porta e que ela acabou falhando. O guarda acreditou (a lábia não funciona com todos) e me deixou em paz por um tempo.

007 First Light

Esse recurso recarrega conforme você nocauteia ou mata inimigos. E, se a lábia não der certo, Q equipou Bond com diversos dispositivos, como: um telefone que dispara um dardo que deixa a pessoa atingida com enjoos, forçando-a a sair de sua posição; uma câmera que emite uma onda de choque e atordoa inimigos; uma caneta que dispara um míssil; e um isqueiro que libera uma cortina de fumaça, dentre outros.

E, caso tudo dê errado e voltar a se esconder seja impossível, Bond pode usar a boa e velha força bruta.

O combate corpo a corpo de 007 First Light é simples. Você pode alternar entre socos e chutes, defender com parries, agarrar e arremessar oponentes, mas o verdadeiro molho do combate está no ambiente.

James pode pegar objetos e arremessá-los em adversários, abrindo espaço para uma finalização ou deixando o oponente vulnerável a uma sequência de golpes. Também pode agarrar e carregar inimigos até um balcão para jogá-los do alto, bater com eles na parede ou contra objetos do cenário, como um extintor de incêndio.

Felizmente, os inimigos aqui não têm mente de colmeia, então você consegue eliminar alguns oponentes sem alertar a população inteira do país.

Licença para matar

Eventualmente, o stealth falha de vez e/ou você é obrigado a entrar em combate letal. É aí que Bond recebe sua licença para matar e está livre para usar seu lado mais Uncharted. O combate corpo a corpo e seus gadgets ainda estão disponíveis, mas agora você tem suas armas.

007 First Light

Diferente do Agente 47, Bond não tem a durabilidade de um guardanapo molhado, ele não morre tão facilmente. Você aguenta tomar alguns tiros enquanto planeja uma fuga ou bola uma estratégia de ataque, mas James não é um personagem de Call of Duty. Você dificilmente conseguirá avançar sozinho contra 50 inimigos, e nem terá munição suficiente para isso.

As balas são escassas e, para sobreviver, James precisa ficar constantemente roubando as armas dos inimigos, seja agarrando-os e desarmando-os, matando-os e pegando a arma do chão ou, melhor ainda, atirando na mão do oponente e fazendo-o lançar a arma para o alto. Aí você pega a arma antes que ela caia no chão e o mata.

Conclusão

Seu lado Hitman é facilmente o ponto mais forte do jogo. Não que seu lado Uncharted seja ruim, mas, em certos momentos, suas seções são um pouco arrastadas e, muitas vezes, o checkpoint fica antes de cutscenes e trechos muito scriptados. Então, se você morrer bastante, será obrigado a reassistir longas sequências repetidamente, o que acaba prejudicando um pouco a rejogabilidade.

Muitas vezes, eu fechei o jogo e voltei mais tarde por ter me cansado de rever conversas e seções em que você apenas anda para frente ou acelera um veículo em linha reta. Novamente, algo muito semelhante ao que acontece em Uncharted.

Os chefes são péssimos e, fora dos tiroteios, a inteligência dos inimigos resolveu entrar de férias. Eles desistem da busca com facilidade e, muitas vezes, olham James nos olhos sem detectá-lo. Nesse caso, fica difícil distinguir se isso é apenas burrice artificial ou um bug, que, por sinal, encontrei pouquíssimos durante minhas 20 horas de gameplay. O jogo rodou tranquilamente na minha máquina.

Se esse jogo segurasse um pouco menos a minha mão e a IA fosse um pouco mais inteligente, ele seria o jogo perfeito. Mas, entre os jogos de 007, acredito que este seja o melhor deles e um dos meus favoritos deste ano. Quero muito saber o que a IO anda preparando como conteúdo adicional.

007 First Light está disponível para:

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007 First Light
007 First Light Publisher: IO Interactive Desenvolvedora: IO Interactive
Nota: 8.5
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