SILENT HILL: TOWNFALL – Entre o medo e a familiaridade
Por Posted by | Publicado em - Editado emDa famosa franquia de terror psicológico, Silent Hill: Townfall traz consigo a essência do que temos de melhor na série: uma ambientação sufocante e uma gameplay satisfatória. Apesar disso, tropeços se fazem presentes, comprometendo a imersão do título.
Enredo

Situada numa cidade fictícia da Escócia, St. Amelia é o palco dos eventos envolvendo Simon Ordell, que volta à cidade para um acerto de contas que aterroriza sua mente, em meio a uma cidade tomada por criaturas, um denso nevoeiro e respostas que estão ligadas ao seu passado oculto.
Silent Hill: Townfall nos entrega uma história digna da franquia Silent Hill, com o mistério
envolvendo não só uma pessoa. Os eventos acabam se dividindo mais tarde em ramificações que agregam à narrativa como um todo, mas senti que isso também é um contraponto, já que a atenção dividida tira o foco de Simon, o que acaba atrapalhando o desenvolvimento do personagem.
Jogabilidade

É notável desde o início como quiseram trazer uma dinâmica diferente do que vimos
anteriormente nos últimos dois lançamentos da franquia. A perspectiva em primeira pessoa traz uma proximidade com os eventos que nos deixa imersos durante boa parte da jornada em St. Amelia. A fórmula segue o padrão ao qual estamos acostumados, com a disponibilidade de pedaços de madeira, canos de metal e armas de fogo para a defesa, mas o maior acerto nessa questão foi terem dado uma atenção enorme à furtividade, característica que acompanha o diretor Jon Mckellan em produções das quais fez parte, como Alien: Isolation e Observation.
Acompanhando essa característica de gameplay, temos o CRTV que, sendo bem direto, se
torna uma espécie de wall hack. Mas, diferentemente do que se pensa, não torna tudo fácil demais. A localização dos inimigos por meio do aparelho é unitária, sendo necessário, muitas vezes, que o jogador utilize os sons dos inimigos para se orientar pelos cenários.
Vale ressaltar que é nítido como a distribuição de itens merecia uma atenção maior, especialmente entre os capítulos iniciais. Por mais que minha abordagem tenha sido, em sua grande maioria, exclusivamente furtiva, em diversos momentos percebi a carência de itens que não só ajudariam durante a jornada, mas também trariam ao jogador a possibilidade de escolher sua abordagem de acordo com seu estilo de jogo.
Outro ponto ao qual podemos dar atenção é a criatividade em relação aos puzzles. Todos são contextualizados e “conversam” com o cenário: a contagem de elementos em uma pequena farmácia para a descoberta de um código ou uma literal transfusão de sangue envolvendo o protagonista se fazem presentes, deixando uma dinâmica que mescla bem a tensão de se esconder com a dúvida de resolver um enigma.
Apesar disso, há tropeços que são perceptíveis à medida que avançamos. A falta de variedade nos inimigos pesa conforme o avanço, até chegar a um ponto em que o medo é substituído por uma familiaridade que não deveria existir, ainda mais em uma franquia reconhecida por criaturas marcantes e carregadas de significado.
OSTs desinteressantes, design de áudio impecável

Diria que, em questão de trilha sonora, o jogo em si é “ok”. Nada muito memorável. São OSTs que se encaixam bem no contexto, mas nada que seja incrível ao ponto de ser um dos grandes pontos a se citar. Diferentemente disso, o design de áudio merece atenção. O ranger da madeira, os sons dos metais e o estalar dos monstros criam uma atmosfera sonora imersiva. Para se ter uma ideia, muitas vezes consegui me “ecolocalizar” pelo cenário apenas utilizando os sons como base e deixando o CRTV totalmente de lado. É um trabalho impecável da equipe nesse quesito, principalmente pela maneira como os sons conseguem auxiliar na percepção do ambiente e das ameaças durante a gameplay.
Silent Hill: Sufocante como sempre, lindo como nunca

St. Amelia não decepciona no quesito ambientação. Como de praxe na saga, entramos em um lugar tomado pela neblina, que esconde ao máximo os detalhes que, mesmo assim,
permanecem perceptíveis. Praças, farmácias, hospitais claustrofóbicos e ruas estreitas: tudo agrega ao mistério da solidão e à sensação de perigo. Junto disso, a ideia de levar o jogo para um lado mais fotorrealista pesa para o lado da imersão, mas também abre margem para problemas técnicos envolvendo o desempenho.
Desempenho

Como já se tornou recorrente em alguns jogos desenvolvidos na Unreal Engine 5, Silent Hill: Townfall entra para a lista de títulos que carecem de maior polimento técnico. Durante a experiência, enfrentei stutterings frequentes, não apenas no carregamento de novas áreas, mas também ao longo da gameplay, prejudicando a fluidez em diferentes momentos.
Além disso, tive problemas com crashs, especialmente durante as cutscenes. Em algumas situações, isso me obrigava a retornar ao último checkpoint, tornando a experiência frustrante e interrompendo o ritmo da narrativa.
Conclusão

Silent Hill: Townfall consegue, ao mesmo tempo, parecer diferente e ainda ser facilmente
reconhecido como um título da franquia. O jogo me manteve imerso durante boa parte da
experiência e conseguiu me trazer uma sensação de satisfação em relação ao final que obtive.
Mesmo enfrentando problemas de otimização e a falta de variedade dos inimigos, a experiência se distancia da tradição da franquia mas ainda sim é uma experiência Silent Hill que merece atenção.
Silent Hill: Townfall está disponível para PC e Playstation 5.
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