The Blood of Dawnwalker – Um The Witcher 3 menos polido, porém mais interessante
Por Posted by | Publicado em - Editado emJogos de vampiros estão cada vez mais raros hoje em dia, e os poucos que saem atualmente não são muito interessantes ou saem extremamente quebrados e repetitivos. Então, quando vi o anúncio de The Blood of Dawnwalker, um novo jogo de vampiros feito por ex-devs da CDPR, foi impossível não me empolgar.
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Enredo

Ambientado durante a época da Peste Bubônica em Vale Sangora, um vale que fica nas montanhas dos Cárpatos. A região é dominada pelos Vrakhiri, uma raça poderosa de vampiros chefiada por Knyaz Brencis, que expulsou o antigo lorde da região e acabou com as guerras, religiões, impostos e até com a própria peste utilizando seu sangue. Mas, como nada na vida é de graça, Brencis exige uma taxa de sangue de todos os moradores. Ele e seus seguidores o coletam uma vez por mês de todos os adultos e executam os fracos e debilitados. Esse regime não deixa o povo muito confortável, já que são forçados a servir esses vampiros e a adorá-los como deuses.
Seguimos Coen de Rívia Laslea e sua família. Coen cuida de seus irmãos enquanto sua mãe está doente, com uma doença neurológica desconhecida, fazendo seu pai ficar desesperado, pois o dia da coleta do sangue chegou e, caso os vrakhiri vejam a mãe de Coen nesse estado, ela será executada.
O vilarejo de Laslea fica próximo às minas de prata, uma das coisas que podem ferir os vampiros. O povo do vilarejo planeja invadir a mina e pegar o máximo de prata que conseguirem, mas alguém os trai, e os vampiros aparecem na mina e atacam todos.
Durante o ataque, Brencis tenta transformar Coen em um vampiro, mas a tentativa falha. Coen, de alguma forma, resiste e se transforma em um Vampiro. Brencis derrota Coen e o larga preso para morrer quando o sol nascer. Em seguida, leva sua família e alguns sobreviventes do vilarejo para seu castelo, onde, após 30 dias e noites, irá sacrificá-los em uma cerimônia que irá coroá-lo como Príncipe. Coen, que, por algum motivo, voltou a ser humano quando o sol nasceu, terá esse tempo para tentar salvar sua família e matar Brencis.
A premissa é bem simples: uma região controlada por um tirano, e você precisa derrotá-lo. Nada que você não tenha visto um milhão de vezes. Porém, conforme você se aprofunda mais no jogo e entende melhor o mundo e os personagens, é difícil não gostar do que está vendo. O que mais me prendeu e inicialmente me interessou no jogo é a questão do tempo e como ele lida com um problema que muitas outras narrativas têm: a urgência.
Sensação de Urgência

Muitos jogos de mundo aberto sofrem com um mesmo problema em sua narrativa: a sensação de urgência. E, já que Blood of Dawnwalker é feito por ex-devs da CDPR, usarei Cyberpunk como exemplo.
Em Cyberpunk, V tem um tempo limitado de vida e está desesperada atrás de uma cura, mas a campanha do jogo está recheada de conteúdo paralelo que não é muito importante para o perigo principal da trama. V abandona sua busca pela cura para participar de corridas, lutas de boxe, ajudar um homem a consertar seu… membro com defeito e tomar pílulas que diminuem seu pouco tempo de vida para permitir que Johnny tenha um encontro com sua ex-namorada. A história principal continua reforçando que V está morrendo e que você precisa agir rápido, mas isso não é bem verdade. V tem um tempo infinito para fazer o que bem entender, quando bem entender.
Essa dissonância, felizmente, não está presente em Dawnwalker. Aqui, o tempo é tratado como uma moeda. Coen possui 30 dias para tentar salvar sua família. Esses dias são divididos em duas barras, com oito pontos cada: oito para o dia, quando Coen é um humano comum, e oito para a noite, quando Coen ativa seus poderes de vampiro. Após completar as duas, o jogo avança um dia.
Você gasta seu tempo aprendendo novas habilidades (algumas exigem que você encontre um livro antes), realizando missões e participando de algumas atividades no mundo aberto. Assim como na vida real, o tempo não é infinito, e você não conseguirá fazer tudo o que o jogo oferece. Então, me desculpe, senhorinha, mas não posso gastar meu tempo colhendo flores para você.
E, como até aprender novas habilidades gasta seu tempo limitado, o jogo faz com que cada decisão, das menores às maiores, tenha um peso enorme. Por exemplo, no prólogo, eu precisava buscar ervas para fazer um remédio para minha mãe, mas acabei gastando meu tempo ajudando meus irmãos a pescar, caçando uma bandeira e brigando na rua. Isso fez com que eu ficasse sem tempo para pegar os remédios, e minha mãe acabou falecendo.
Humano de dia, vampiro à noite

Aqui, a inspiração é óbvia: o combate é The Witcher 3 com uma guarda direcional que aparece quando você trava a mira em um inimigo. Para defender (ou acertar um parry), o jogador precisa colocar o analógico na direção do ataque do inimigo e apertar o botão de defesa, assim como em For Honor ou Kingdom Come: Deliverance.
Durante o dia, Coen tem acesso a habilidades com a espada que custam uma carga para usar, além de bruxarias que exigem uma carga e um pouco do seu HP. Essa carga é recuperada conforme você ataca e defende. Já durante a noite, as bruxarias são substituídas por ataques e magias de vampiro.
Os três tipos de habilidades — espada, bruxaria e vampirismo — variam entre habilidades passivas, como causar mais dano após um parry ou recuperar mais HP com uma mordida, e habilidades ativas, como ferver o sangue de um inimigo ou se transformar em um lobo enquanto corre (recomendo bastante essa).
As habilidades são aprendidas gastando tempo e pontos de XP, mas algumas só aparecem na árvore após você ler livros e pergaminhos ou aumentar seu nível de corrupção na forma vampírica. Você faz isso bebendo o sangue de animais e/ou humanos.
Coen consegue se curar na forma humana através de alimentos; já na forma de vampiro, o alimento é sangue de humanos e animais. Quanto menos vida você tiver na forma de vampiro, mais Coen vai perdendo a cabeça e se rendendo aos seus instintos.
Ao conversar com um NPC enquanto estiver com pouca vida, a opção de se render à fome aparece, e os diálogos vão se embaralhando. Se estiver com pouquíssima vida, Coen ataca automaticamente, matando o NPC, inclusive NPCs de quests.
O combate de Dawnwalker é bem duro. Ao se aproximar de um inimigo, Coen entra em um softlock e tem problemas para se mexer, ficando, algumas vezes, preso no cenário. Graças ao sistema direcional e ao softlock. Outra coisa curiosa é que Dawnwalker não possui stealth, algo estranho para um jogo de vampiros.
Mundo Aberto

Dawnwalker não possui montarias. Então, para atravessar esse mapa grandinho, Coen pode se locomover correndo, usando sua transformação em lobo ou uma habilidade de bruxo que o faz correr mais rápido. Porém, a movimentação desse jogo consegue ser mais dura que eu no final do mês.
Quando Coen corre (principalmente com a habilidade de bruxo), ele parece estar espremido entre duas paredes invisíveis. Ele tem dificuldade para virar, fazendo com que sua movimentação lembre um pouco os controles de tank dos Resident Evil antigos.
Explorar o mundo não gasta sua barra de tempo, então você é livre para andar por aí e planejar como e em que ordem irá gastar seu tempo depois de enfrentar os 900 lobos, javalis e ursos que ficam espalhados pelo mapa.
Caso não saiba o que fazer após uma missão, você pode andar sem rumo pelo mapa e garanto que irá encontrar alguma atividade interessante: desde quests escondidas e pessoas precisando de socorro até missões padrão Ubisoft para enfraquecer os lordes da região.
Dawnwalker possui um sistema de notoriedade similar ao dos Assassin’s Creed RPGs. Brencins possui três servos, e eles controlam partes distintas de Vale Sangora. Coen pode realizar atividades espalhadas pelo mapa para enfraquecer essas regiões, aumentando sua notoriedade e fazendo com que ele seja reconhecido pelos moradores e pelos Vrakhiri.
Conclusão
Em relação aos bugs, experimentei pouquíssimos durante minha gameplay: alguns NPCs atravessando objetos, Coen ficando agarrado no terreno e algumas texturas pulando mais que pipoca no micro-ondas, mas nada que quebre o jogo.
Dawnwalker é travado em sua movimentação e combate, com uma câmera horrorosa que muitas vezes parece fazer parte dos inimigos, mas, novamente, nada disso me afastou do jogo.
A premissa pode ser bem simples ou até batida, mas, à medida que a história se aprofunda, fica impossível não se interessar por tudo o que está acontecendo. A mecânica do tempo é algo que chamou minha atenção: é impossível fazer tudo, mas você não vai perder muita coisa. Ainda assim, entendo que isso pode afastar aqueles que gostam de completar tudo.
Acredito que, se você deixar o combate travado e a limitação do tempo de lado, irá experienciar um dos melhores, se não o melhor, RPG do ano e um dos fortes candidatos ao GOTY.
Agradecimentos especiais à publisher por fornecer a key para essa review.
The Blood of Dawnwalker está disponível para:
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