Vinte anos após o último lançamento original da franquia, Onimusha retorna com um dos sistemas de combate mais satisfatórios já criados.
História

Durante sua jornada para se tornar um famoso espadachim, Miyamoto Musashi acaba sendo morto por criaturas do submundo conhecidas como Genma. Ao chegar ao inferno, Musashi é resgatado por um homem misterioso que, contra sua vontade, prende nele uma manopla Oni, objeto que lhe concede a força necessária para derrotar os Genma, além da habilidade de absorver suas almas.
Inicialmente, ainda rejeitando o “presente” que lhe foi dado, Musashi parte em busca de uma forma de retirar a manopla. Essa missão, porém, rapidamente evolui para a necessidade de salvar o mundo da invasão Genma, que está tomando Quioto e ameaça conquistar todo o planeta.
Embora simples, a história de Way of the Sword funciona muito bem, apresentando diversas vezes um tom de comédia inesperado e muito bem-vindo, sustentado pelo protagonista e suas expressões faciais extremamente detalhadas.
Seu principal trunfo são os personagens: todo o núcleo central do jogo, incluindo os três vilões principais, é muito carismático e instiga o jogador a querer ver e conhecer mais de cada um.
Combate divertido e satisfatório, mas repetitivo

Onimusha oferece um combate divertido e, de certa forma, elegante. Principalmente contra chefes, Way of the Sword apresenta batalhas quase cinematográficas, marcadas por diversas animações e interações durante as batalhas.
Em essência, o combate do jogo é semelhante ao de Sekiro, porém mais cadenciado, cujo principal objetivo é esgotar a barra de vigor do inimigo para então aplicar um golpe letal. Diferente de Sekiro, contra chefes esse processo precisa ser repetido de três a quatro vezes para drenar uma barra de vida por completo, sendo que a maioria deles possui duas barras de vida. Para isso, é possível aparar e defletir ataques, além de realizar esquivas perfeitas para fugir de um agarrão.
Quanto as armas, além da Katana, Musashi também conta com um arco como arma principal, este que é muito útil para além de ataques à distância, também sendo muito útil em bossfights após ser melhorado, impedindo que os chefes regenerem sua barra de vigor por um período de tempo.
Já como armas secundárias, o protagonista conta com outras seis “armas Oni”, que atuam como um ataque especial de uso único após encher a barra do medido de poder Oni.
Dificuldade, inimigos e trilha sonora
Embora não tenha nenhuma pretensão de ser um soulslike, Onimusha é muito fácil e desbalanceado contra inimigos comuns, tornando quase que dispensável qualquer elemento de combate além do aparo. Isso faz o jogo se tornar repetitivo rapidamente, sobretudo durante a exploração em Quioto, já que os inimigos respawnam automaticamente após um curto período.
Além disso, o jogo conta com apenas três subchefes, sendo que um quase nunca é utilizado. Apesar de essas lutas serem divertidas e até desafiadoras nas primeiras vezes, acabam chegando ao ponto em que também perdem a graça pela repetição.
O destaque mesmo são os chefes, que apresentam um nível de desafio balanceado e exigem aplicar tudo o que foi aprendido ao longo da jornada, não apenas para vencer, mas também para criar um espetáculo visual. A batalha contra o último chefe, em especial, além de ser consideravelmente mais difícil que os demais, foi a bossfight mais divertida que joguei desde Sekiro.
Exploração

Onimusha apresenta uma área de “mundo aberto” ambientada em Quioto, que vai sendo liberada gradualmente conforme a história avança. Além dessa área, o jogo também conta com um sistema de fases lineares, simples e diretas, igualmente desbloqueadas conforme o progresso da história.
Em Quioto, o jogador encontra quatro atividades principais: duas linhas de missões secundárias, Mistérios de Quioto, com histórias mais elaboradas e envolventes, e Encontros do Destino, missões genéricas que consistem em derrotar inimigos ou fechar fendas. Ambas oferecem recompensas úteis para aprimorar equipamentos e habilidades. Há ainda a atividade de resgatar Komainus, que concede itens cosméticos para Musashi.
Levei cerca de 25 horas para concluir o jogo, realizando ambas as linhas de missões, resgatando todos os Komainus e quase maximizando todas as habilidades.
Embora muitos possam considerar essa duração curta, neste caso, menos seria mais. Desde o início senti que a exploração de Quioto seria entediante, e infelizmente permaneceu assim até o fim. Além disso, o sistema de aprimoramento do personagem, exceto no aspecto da vida, parece pouco relevante. Mesmo com o dano maximizado, não percebi que o protagonista ficou mais forte em nenhum momento. Por um lado foi bom, já que evitou que o jogo ficasse ainda mais fácil, por outro lado ficou a sensação de que quase tudo serve apenas para alongar artificialmente a experiência.
Dessa forma, uma campanha mais linear e direta, com cerca de 16 a 18 horas, teria sido mais satisfatória do que algo que, mesmo durando apenas 25 horas, acaba se tornando cansativo.
Desempenho

Mesmo no XBOX Series S o jogo está muito bem otimizado. Felizmente não encontrei nenhum bug que atrapalhasse minha experiência, ou quedas bruscas de FPS.
Conclusão

Onimusha: Way of the Sword é um grande acerto em termos de gameplay, além de trazer uma boa história com personagens memoráveis. Porém, o jogo peca em sua escala, com um “mundo aberto” desnecessário e muita encheção de linguiça para atingir uma quantidade mínima de horas que muitos podem considerar satisfatória para um jogo AAA.
Mesmo assim, é seguro dizer que Way of the Sword abre caminho para consolidar a série como uma das principais franquias da Capcom para o futuro.
Agradecimentos à Capcom por fornecer a key para essa review.
Onimusha: Way of the Sword está disponível para PlayStation 5, XBOX Series X|S, Switch 2 e PC.
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